Aqui se publicam os capítulos 92 e 93 de "O Couseiro ou Memórias do Bispado de Leiria" publicado em Braga em 1868 de autor desconhecido, o qual, no entanto, viveu na primeira metade do séc. XVII. O Capítulo 92 trata da freguesia do Souto da Carpalhosa, tão antiga que se desconhece (por enquanto) a data da sua fundação. E o Capítulo 93 trata das ermidas que ao tempo existiam na paróquia.

O Texto está na grafia original

Capítulo 92
DA FREGUEZIA DO SOUTO

Com a creação d'este bispado [de Leiria], se annexaram a elle as freguezias seguintes, que eram do bispado de Coimbra e não da jurisdicção do prior mór: a do Souto da Carpalhoza, cuja invocação é de S. Salvador, e se lhe faz festa no dia da Transfiguração; não ha noticia da sua creação, mas no anno de 1218, sendo já freguezia, com cura, chamado Estevão, conego de Santa Cruz, fizeram doação d'uma propriedade, que tinham no logar do Souto, um Pedro Mendes, e Pedro Vieira, e outros moradores ao prior e religiosos, de Santa Cruz, para n'ella se fazerem egreja e cemiterio; o que consta da cópia authentica da dieta doação, que está em um livro das cartas e papeis tocantes a este bispado, a fl. 81, no cartorio episcopal. A egreja se fez; mas muito pequena, e por ser muito antiga, se mandou reformar e aecrescentar, e toda foi feita de novo, como ora é, com seu alpendre, e se acabou no anno de 1602 e se deu licença para n'ella se dizer missa no de 1603, sendo bispo D. Pedro de Castilho; e consta do livro 2º do registo da chancelaria, a fl. 83 vº; e para a obra da capella mór, que se fez por conta da fabrica da sé, se, deu o dinheiro que consta do livro das Contas da fabrica do tempo do mesmo bispo. De presente é vigairaria, que no anno de 1638 creou o bispo D. Pedro Barbosa d'Eça, e assignou ao vigario por salario ou ordinaria o mesmo que tinha, sendo curado, assim de fructos certos, como incertos, e por morte do vigario, João de Castro Massoulles, se proveu por concurso; e o provedor, o licenciado Miguel Coelho, tirou bullas apostolicas , por ser no mez apostolico.

A ordinaria é trinta alqueires de trigo, uma pipa, de vinho, em mosto, de vinte e cinco almudes, e 5$000 reis em dinheiro, tudo por conta do prelado. Tem passaes, que são terras todas perto das casas em que vive, e a quarta parte do que rende a fabrica da egreja, e as falhas e offertas da parochial, e de todas as ermidas da freguezia. As casas em que vive, são por conta da fabrica da sé, que tambem é obrigada à egreja e ornamentos, mas não aos altares da egreja, que estes se fabricam pelas confrarias, e sómente ao altar da capella mór, e a ella e à sacristia é obrigada a fabrica da sé. A imagem de S. Salvador é de vulto, a capella d'abobada; tem sacristia, capella de pia de baptisar.

Rende ao parocho, uns annos por outros, 120$000 reis, pouco mais ou menos. Tem oitenta, e mais, amentas perpetuas e muitas voluntarias, e de todas se dá um alqueire de trigo, por cada uma. A freguezia tem mais de mil pessoas de sacramento.

Capítulo 93
DAS ERMIDAS D'ESTA FREGUEZIA

Havia n'esta freguezia uma ermida, que ora é de S. Antonio; e está por cima, do logar do Souto, e foi da invocação de N. Senhora da Portella, e ainda n'ella está a imagem da Senhora, a qual trazem à parochial no dia que n'ella lhe fazem festa; e é de vulto; e n'esta ermida se dizia missa e administravam os sacramentos aos freguezes, em quanto se fez a nova egreja.

No logar das Varzeas uma, da invocação de S. Martinho, feita no, anno de 1596, consta, do livro 2º do registo, fl. 17 vº, e já foi depois disso reformada; imagem de vulto).

[...]

Outra no logar dos Conqueiros, da invocação do Santo Ildefonso; a imagem é de vulto; e todas foram mandadas fazer por visita, e por isso, os moradores dos dictos logares são obrgados à fabrica d'ellas.

Na Chã da Laranjeira outra, cujo fundador quiz que fosse da invocação de Santo Antonio; é administrador Lourenço Mendes, d'Abreu, em cuja quinta está, mas não tem n'ella a imagem do Santo.

Outra no Casal, onde se chamo o Porto de Santo Ildefonso, feita e dotada por pessoa particular, no anno de 1618, invocação de S. Bento; consta do dicto livro 3º do registo, fl. 40; a imagem do Santo, é de, vulto.