Neste pequeno trabalho se apresenta uma síntese sobre a Igreja Paroquial do Souto da Carpalhosa e a Arte Sacra que nela está presente, como o tecto em baixo relevo, obra do miniaturista Eduardo Mafra Elias, impulsionado pelo P. Jacinto António Lopes, pároco do Souto da Carpalhosa entre 1907 e 1938; as imagens que adornam os altares, na sua grande maioria de obras do famoso escultor Guilherme Thedim; a Talha Dourada que adorna os altares, e que foi recentemente restaurada, por iniciativa do pároco, P. Abel José Silva Santos. Tal como o P. Jacinto, também merecerá uma pequena referência biográfica.
Por último, surgem umas pequenas notas sobre a monumental escadaria que antecede a porta principal da Igreja, e que constitui uma obra prima do P. Manuel Pereira da Silva.
Souto da Carpalhosa é paróquia e freguesia de Leiria. Tem como padroeiro o Santíssimo Salvador. Esta freguesia já existia, segundo o Couseiro, em 1218. Neste ano, sendo cura um cónego regrante de Santa Cruz de Coimbra, chamado Estevão, um Pedro Vieira, um Pedro Mendes e outros moradores do lugar do Souto, doaram ao mosteiro uma propriedade para se construir igreja nova e cemitério.
Quando em 1545 se criou o bispado de Leiria, a freguesia do Souto da Carpalhosa pertencia ao de Coimbra e dele foi desanexada. Então, por volta de 1600 construiu-se um novo templo, onde já se celebrava em 1603.
Entre 1862 e 1864 foram feitas grandes obras de restauro na igreja, auxiliadas pelo Estado. No início deste século, a igreja foi estucada a primor, com um trabalho de relevo.
Todas as grandes obras têm por trás homens dinâmicos e audazes. A Igreja Paroquial do Santíssimo Salvador do Souto da Carpalhosa não é excepção. Ao falarmos das obras nelas realizadas neste século teremos de falar necessariamente em três párocos: P. Jacinto António Lopes, Cónego Manuel Ferreira Geraldo e P. Abel José Silva Santos.
As árvores morrem de pé... Eis mais uma. Nasceu no lugar e freguesia de Carvide, a 12 de Setembro de 1875. Foram seus pais: Joaquim António, natural dali e Joaquina Felícia, natural do Picoto, Souto da Carpalhosa.
Depois da instrução primária, fez os primeiros estudos no Seminário de Leiria, a Santo Agostinho, a Filosofia e a Teologia em Coimbra, onde recebeu o Subdiaconado a 19 de Dezembro de 1896, o Diaconado, a 1 de Novembro 1897 e a Ordem de Presbítero, a 15 de Fevereiro de 1898.
Permaneceu em Coimbra, como Professor e Prefeito do Seminário, durante 10 anos e por Carta Regia de 12 de junho de 1907, foi colocado Pároco do Souto, sucedendo ao P. Francisco de Oliveira.
Serão mais de 30 anos, como hóstia em sangue, oração e doação. Assina o Livro do Registo Paroquial dos óbitos do Souto, desde 24 de julho de 1907, juntandose-lhe, como Coadjutor, em 24 de junho de 1908, o Rev. Manuel Ferreira Geraldo.
Muito cedo, por ter acudido a um incêndio, foi vítima do terrível mal da morfeia. Em nada diminuiu o seu zelo pelas almas, nem elas do Pastor fugiam ou sequer se afastavam... Mirrado, carcomido, sem olhos, sem nariz, sem dedos, mas com fala, sempre, até à morte atendeu dentro da sua igreja.
A tudo providenciava. Creio que para todas as coisas, mesmo os arranjos da sua igreja, dava o seu plano e ela foi sempre, no seu tempo, continuando hoje ainda um mimo em ordem, arranjo e asseio, continuado pelos seus auxiliares, Rev. P. Geraldo e P. Manuel Pereira Patrão, desde Setembro de 1937.
No seu carrinho de rodas, em peregrinação, com os seus fiéis, correu as estradas que o levaram a visitar as igrejas e paróquias de Mata Mourisca, Monte Redondo, Vieira, Carvide, Monte Real, Milagres, Barreira, Amor e Coimbrão.
P. Jacinto, com 62 anos de idade, pelas 10 horas do dia 8 de janeiro de 1938, foi chamado pelo Pai, a receber a sua coroa de glória. A árvore secou, mas os frutos sustentam ainda as almas.
Nasceu na freguesia da Palhaça Aveiro, a 6 de Novembro de 1882.
Foram seus pais: José Ferreira Geraldo e Joana Vieira. Entrou no Seminário de Coimbra em 1897, onde recebeu a Primeira Tonsura e Ordens Menores, a 6 de Novembro de 1904; o Subdiaconado, a 4 de Novembro de 1906; o Diaconado, a 22 de Dezembro de 1906, e foi ordenado Sacerdote, por Dom Manuel Correia de Bastos Pina, Bispo de Coimbra, na Capela da Quinta da Carregosa, Nossa Senhora de Lourdes, em Oliveira de Azeméis Porto, a 11 de Agosto de 1907.
Veio com P. Jacinto e como seu Coadjutor para o Souto da Carpalhosa, que tivera sido seu professor; conhecia-lhe bem o timbre. O P. Geraldo assina o Registo Paroquial do Souto, pela primeira vez, a 13 de Setembro de 1907.
A 8 de janeiro de 1938, faleceu o P. Jacinto António Lopes e sucede-lhe como Pároco e Vigário da Vara, o P. Geraldo, a 13 de janeiro de 1938.
Alguém, que conhecia bem as qualidades de alma do Padre Leproso e do seu Coadjutor, o espírito de sacrifício, de caridade mútua e de doação, exclamou um dia: "Não sei quem admirar mais: se o Prior, se o Coadjutor...".
A 5 de Dezembro de 1958 foi nomeado Cónego honorário da Sé de Leiria, sendo também condecorado: "Cavaleiro da Ordem de Benemerência". Se a Escola Católica primária do Souto foi obra do P. Jacinto, foi indubitável mente, obra dos dois: do coração do primeiro e da alma do segundo.
O Cónego Geraldo faleceu no Souto, a 4 de Março de 1965, e ficou sepultado logo ali, junto do seu antecessor.
O P. Abel José Silva Santos nasceu a 13 de julho de 1942, no lugar e freguesia da Batalha. É filho de João dos Santos Gomes, já falecido, e de Acidália Novais Silva Santos.
Entrou para o Seminário em 1954, tendo sido ordenado padre a 15 de Agosto de 1968, na Igreja do Seminário Diocesano de Leiria, por Dom Domingos Pinho de Brandão. Celebrou a sua Missa Nova a 25 de Agosto de 1968, no Mosteiro da Batalha.
Foi nomeado coadjutor do Souto em Outubro desse ano. Em 26 de Abril de 1973 foi nomeado pároco da Ortigosa, mantendo-se como coadjutor do Souto até 4 de Outubro de 1985, data em que foi nomeado pároco.
Tem dado uma especial importância a assistência social. Assim, fundou Centro Social e Cultural da Paroquia do Souto da Carpalhosa, que possui as seguintes valências: Creche, Jardim de Infância, ATL, Lar de Terceira Idade, Centro de Dia e Apoio ao Domicílio. Foi o fundador do jornal "Souto".
A 23 de Novembro de 1997 foi nomeado pároco da paróquia da Bajouca. Durante estes 28 anos que esteve unido à paróquia do Souto, foi o grande impulsionador das muitas obras que foram feitas, não só na Igreja, mas também nas diversas capelas.
Ao realizar este breve trabalho sobre a Igreja Paroquial do Souto da Carpalhosa, de modo especial sobre o seu belo tecto em baixo-relevo, julgo oportuno fazer referência à família Mafra, a que pertencia o autor do referido tecto. Farei referência a três artistas desta família: a Eduardo Mafra Elias, autor do famoso baixo-relevo, a seu tio Francisco Elias e a seu filho Eduardo Elias.
Ceramista, nasceu nas Caldas da Rainha, em 17 de Setembro de 1880. Pertenceu a uma geração de ceramistas muito conhecidos, sendo sobrinho de Francisco Elias e pai de Eduardo Elias. 0 pai e a mãe eram já ceramistas, sendo esta especialista na imitação dos entrançados de verga. Frequentou a então chamada Escola de Desenho Industrial Rainha D. Leonor, onde concluiu o curso em 1900. De 1896 a 1908 trabalhou como modelador na cerâmica artística de José Alves Cunha, de onde saiu para a Fábrica de Frederico Pinto Bastos, onde trabalhou na escultura de imagens de barro até 1909. Quando do encerramento desta fábrica voltou à anterior, na categoria de gerente e director artístico, onde se manteve até 1917. Desde essa data passou a trabalhar em "atelier" próprio, dedicando-se ao trabalho de miniatura, o que já anteriormente fazia por encomenda para presépios. Neste género de trabalhos, em figurinhas de pequenas dimensões, interpretou assuntos histéricos, sacros e regionais. A maioria são obras de inspiração original, tendo no entanto passado para o barro algumas cópias de quadros, entre eles de Malhoa e de Murillo. Dos grupos que executou, os que se destacam pelo número de figuras são: A última Ceia de Cristo, Descimento da Cruz, Amor de Predição (inspirado no celebre romance de Camilo Castelo Branco) e D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir. Realizou diversas exposições individuais e concorreu a outras onde obteve diversos prémios. Realizou também em grande vulto imagens na fábrica dos Bogalhos e de 1929 a 1931 executou, com a colaboração do filho, 21 quadros em baixo-relevo, representando os Passos da vida de Cristo, que ornam a Igreja Paroquial do Souto da Carpalhosa. É esta obra que nos merecerá uma atenção especial neste trabalho. Na exposição de 1927 das Caldas da Rainha foi premiado com as medalhas de ouro e prata. Os seus trabalhos são ainda hoje apreciados e bem conhecidos do público.
Eduardo Mafra Elias surge na linha do seu tio Francisco Elias, o verdadeiro fundador do Clã "Mafra".
Ceramista e miniaturista, de seu nome completo Francisco Elias dos Santos, nasceu nas Caldas da Rainha a 21 de Setembro de 1869, e morreu na mesma cidade a 19 de Agosto de 1937. Aos 16 anos, revelando especiais aptidões para os trabalhos cerâmicos, iniciou a sua carreira, tornando-se discípulo de Bordalo Pinheiro na fábrica que ali tinha. Parece que ainda como simples aprendiz colaborou com o mestre na execução da famosa jarra Beethoven. Frequentou, depois, a Escola Industrial Rainha Dona Leonor, das Caldas, precursora da actual Escola Industrial e Comercial Rafael Bordalo Pinheiro, nela recebendo lições de Eduardo Gonçalves Neves. Desta última veio a ser mestre de Modelação desde 1925 até à época em que faleceu. Por morte de Rafael Bordalo Pinheiro, acompanhou na fábrica seu filho Manuel Gustavo, até que, instigado por admiradores, se dedicou em 1918, exclusivamente, à execução das miniaturas que o tornaram famoso. São numerosos os trabalhos por si realizados, dispersos por Portugal, Espanha, França e Brasil.
É notável a perfeição das suas pequeninas obras, demonstrando um espírito de observação, bom gosto, paciência, delicadeza de mãos, habilidade e escrúpulo fora do vulgar. Os seus trabalhos foram apreciados por alguns dos categorizados artistas e críticos, tendo-lhe sido concedido o grau de Cavaleiro da Ordem de Santiago. Entre os seus principais trabalhos, refiro: Candeeiro Manuelino, Ceia de Cristo, Vida de Cristo, Tourada, Presépios, Calvários, "Os Bêbados", Figuras Populares das Caldas, de Lisboa, da Nazaré, de Leiria, etc. ...; cenas rústicas, baldaquinos com imagens de Santo António, S. João, S. Pedro, S. Francisco, S. José, S. Paulo, Santo Onofre, Santa Rita, Santa Bárbara, Santa Filomena, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora de Fátima, Santa Teresinha do Menino Jesus, Santo Afonso, a Virgem com o Menino Jesus, etc. ou com os heróis portugueses, como D. Afonso Henriques, Nuno Álvares Pereira, etc. escritores como: Camões, Camilo Castelo Branco, entre outros; várias cenas bíblicas, Porta da Capela Imperfeita da Batalha, redução da jarra de Beethoven; políticos como: 0 Marquês de Pombal, o General Carmona, o Doutor Oliveira Salazar; medalhas comemorativas várias, etc.
Não trabalhou apenas em miniaturas, tendo deixado alguns trabalhos de maiores dimensões, como Cristo-Rei, Rainha Santa e uma estatueta de mulher. Mas a sua verdadeira especialidade e em que marcou um lugar de relevo consistiu nos trabalhos de minúvia, em que foi, com efeito, bastante notável.
No clã "Mafra" merece ainda referência Eduardo Elias, filho de Eduardo Mafra Elias e sobrinho de Francisco Elias. Ceramista e miniaturista, nasceu nas Caldas da Rainha, onde também morreu a 13 de Maio de 1940. Hábil artista do barro, manifestou as suas brilhantes qualidades de modelador em preciosas miniaturas e obras de vulto. Colaborou com seu pai em muitos dos seus notáveis trabalhos e sucedeu-lhe como professor de Modelação na Escola Industrial e Comercial de Rafael Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha. Foi também um habilíssimo fotografo, conquistando muitos prémios em vários concursos.
O tecto está dividido em três grandes partes, cortadas no sentido longitudinal. Cada parte tem sete painéis ou grandes quadros. Na parte do meio está em resumo a vida de Nosso Senhor, sobressaindo ao centro o quadro da Transfiguração Orago da freguesia. Os outros quadros são: Anunciação, Nascimento de Jesus, Baptismo, Ressurreição, Ascensão e Santíssima Trindade. Nas partes laterais, estão os 14 quadros da Via-Sacra. Apesar de serem recentes, executados entre 1929 e 1931, são 21 quadros em baixo-relevo, representando os Passos da vida de Cristo, que dão uma maior valia à Igreja Paroquial do Souto da Carpalhosa.
"Propositadamente quisemos ouvir o Sr. Elias. Recebeu-nos com aquela franqueza e a vontade que lhe são características, na sua residência das Caldas da Rainha, onde vai ainda trabalhando, agora exclusivamente na miniatura, trabalho em que é mestre único. Que pensa V. Ex.cia da sua obra na Igreja do Souto da Carpalhosa?
É a minha maior e melhor obra.
E, com o seu olhar cintilante, vai-nos contando que nunca realizou obra de conjunto em grande. É certo que estivera como gerente artístico de algumas fábricas e, como tal, executara algumas imagens de vulto. O mesmo fez mais tarde, quando a República o obrigou a abandonar a fábrica. Dedicou-se também à pintura, mas o que o seduziu sempre foi a miniatura. E por isso pode com razão afirmar que obra grande em conjunto é a única e a que melhor tentou empregar todos os seus recursos de artista.
Foi a obra que mais me obrigou a estudar acrescenta ele. Tive de lançar mão de todos os meus livros de Arte Sacra, História Bíblica, Anatomia e ciências congéneres. E por isso tenho nela certo orgulho. E tanto assim que quis que o meu filho celebrasse o seu casamento na Igreja do Souto.
O Sr. Eduardo Elias conta-nos como fez a sua obra. Primeiramente imaginou-a. Depois executou em barro todas as figuras. Sobre elas colocou o gesso para o molde e só depois tirou as figuras definitivas. Foi tudo feito nas Caldas. Depois de prontas, foram cortadas em partes e despachadas em vagão selado até Monte Real. 56 no Souto foram colocadas no seu lugar.
A Igreja dispõe de um altar-mor, em telha dourada, onde sobressai um belo crucifixo de madeira, que data dos últimos anos do século passado.
Para além deste altar, conta com mais quatro altares, também em talha dourada. São conhecidos pelos altares do Sagrado Coração de Jesus, de Nossa Senhora de Fátima, de Santo António, e do Anjo da Guarda. Nestes altares, para além das imagens que lhe dão o nome, existem duas outras em cada uma. Sobre elas, falarei no capitulo seguinte.
Nesta Igreja, merecem também uma especial referências as imagens que adornam os diversos altares.
A festa coincide com a celebração da Transfiguração do Senhor celebrada a 6 de Agosto. Trata-se do padroeiro da paróquia. A sua celebração é assinalada, na paróquia, com um jubileu. Até há poucos anos atrás era feriado na paróquia.
A imagem, obra de Celestino de Queirós, data de 1910. Apresenta Jesus Cristo sobre o globo, como senhor do mundo.
A festa de Nossa Senhora do Rosário foi instituída por São Pio V para comemorar e agradecer à Virgem a sua ajuda na vitoria sobre os turcos em Lepanto, no dia 7 de Outubro de 1571. É famoso o seu Breve Consueverunt (14IX1596), que via no Rosário um presságio da vitória. Clemente XI estendeu a festa a toda a Igreja no dia 3 de Outubro de 1716. Leão XIII conferiu-lhe um nível mais elevado e publicou nove admiráveis Encíclicas sobre o Santo Rosário. São Pio X fixou definitivamente a festa para 7 de Outubro.
A imagem data de 1897 e é obra do referido escultor Celestino de Queirós.
A devoção ao Coração de Jesus já existia na Idade Média. Como festa Litúrgica, aparece em 1675, após as aparições do Senhor a Santa Margarida Maria Alacoque. Nestas revelações, Santa Margarida ganhou uma consciência extremamente viva da necessidade de reparar pelos pecados pessoais e de todo o mundo, e de corresponder ao amor de Cristo. A festa celebrou-se pela primeira vez em 21 de junho de 1686. Pio IX estendeu-a a toda a Igreja. Pio XI, em 1928, deu-lhe o esplendor actual e definiu a data da sua celebração: sexta-feira da Segunda Semana depois do Pentecostes.
Esta imagem mede um metro e cinquenta centímetros de altura. É uma obra, em madeira, do grande escultor Guilherme F. Thedim. Data de 1943.
A solenidade de S. João Baptista era já celebrada no séc. IV. João, filho de Zacarias e Isabel, parente da Virgem, e o Precursor de Jesus Cristo, e coloca ao serviço dessa missão toda a sua vida, cheia de austeridade, penitencia e de zelo pelas almas.
Foi martirizado em Roma no começo da perseguição de Diocleciano. O seu sepulcro, na Via Ápia "ad Catacumbas", foi venerado pelos fieis desde a mais remota antiguidade.
Estas duas últimas imagens, que datam do ano 1943, são obra de Guilherme Thedim. Medem 70 centímetros.
No ano 1917, quando o mundo se debatia ainda nas violências e atrocidades da guerra, a Virgem Maria apareceu seis vezes em Fátima a três pastorinhos, Lúcia, Jacinta e Francisco. Por meio deles, a Santa Mãe de Deus recomendou insistentemente aos homens a firmeza da fé e o espirito de oração, penitencia e reparação. O culto de Nossa Senhora de Fátima, depois de ter sido aprovado pelo bispo da diocese de Leiria, D. José Alves Correia da Silva, e mais tarde confirmado pela Autoridade Apostólica, foi especialmente honrado com a peregrinação do papa Paulo Vi ao local das aparições em 1967 e do papa João Paulo 11 em 1982 e em 1991.
Mede um metro e meio e é da responsabilidade de Guilherme Thedim. Data também de 1943.
A Quaresma interrompe-se, de certo modo, para celebrar a solenidade de São José, esposo de Maria. Esta festa, que já existia em numerosos lugares, fixou-se nesta data durante o século XV, e em 1621 estendeu-se a toda a Igreja universal como dia de preceito. Em 1847, o Papa Pio IX nomeou São José Padroeiro da Igreja Universal. A paternidade de São José não diz respeito somente a Jesus junto de quem fez as vezes de pai , mas a própria Igreja, que continua na terra a missão salvadora de Cristo. Assim o reconheceu o Papa João XX111 ao incluir o seu nome no Cânon Romano, para que todos os cristãos, no momento em que Cristo se faz presente no altar, venerem a memória daquele que gozou da presença física do Senhor da terra.
A piedade cristã meditou desde o principio nos relatos que os Evangelhos nos transmitiram sobre a presença de Nossa Senhora junto da Cruz. A sequência da Missa Stabat Mater Dolorosa aparece já no séc. XIV. O papa Pio VII, em 1814, estendeu esta devoção a toda a Igreja, e em 1912 São Pio X fixou-lhe a data no dia 15 de Setembro, oitava da Natividade de Maria.
Estas duas últimas imagens, que datam do ano 1943, são obra de Guilherme Thedim. Medem 70 centímetros.
Nasceu em Lisboa, no final do século XII. Foi recebido entre os Cónegos Regulares de Santo Agostinho e pouco depois da sua ordenação sacerdotal ingressou na Ordem dos Frades Menores com a intenção de se dedicar a propagação da fé entre os povos de África. Mas foi na França e na Itália que ele exerceu com grande fruto o mistério da pregação e converteu muitos hereges. Foi o primeiro professor de teologia na sua Ordem. Escreveu varias sermões, cheios de doutrina e de unção espiritual. Morreu em Pádua, em 1231.
Esta imagem é também da autoria de G. Thedim, mede um metro e meio. Data do ano de 1943.
Nasceu em Alençon (Franca), em 1873. Entrou ainda muito jovem no mosteiro das Carmelitas de Lisieux e exercitou-se de modo singular na humildade, simplicidade evangélica e confiança em Deus, virtudes que também procurou inculcar nas noviças do seu mosteiro. Morreu a 30 de Setembro de 1897, oferecendo a sua vida pela salvação das almas e pela Igreja.
Morreu provavelmente em Siracusa, durante a perseguição de Diocleciano. O seu culto estendeu-se, desde a antiguidade, quase a toda a Igreja, e o seu nome foi introduzido no Cânon Romano.
Estas duas últimas imagens, que datam do ano 1943, são obra de Guilherme Thedim. Medem 70 centímetros.
Nuno Álvares Pereira, fundador da Casa de Bragança, nasceu em Santarém, a 24 de junho de 1360. Como condestável do reino de Portugal, foi militar invencível; mas, vencendo-se a si mesmo, pediu a admissão, como irmão leigo, na Ordem do Carmelo. Tinha uma admirável piedade e confiança para com a Santíssima Virgem Maria. Sentia grande satisfação em pedir esmolas pelas portas, desempenhar os oficies mais humildes na casa de Deus, e mostrou sempre grande compaixão e liberalidade para com os pobres. Morreu a 1 de Abril de 1431.
Esta imagem mede um metro, data de 1943 e é obra de Guilherme Thedim.
A devoção aos Anjos da Guarda foi cultivada desde os começos do Cristianismo. A sua festa, com carácter universal para toda a Igreja, foi instituída pelo Papa Clemente X no século XVII. Os Anjos da Guarda são mensageiros de Deus encarregados de velar por cada um de nos, protegendo-nos no nosso caminho na terra e compartilhando com os cristãos a preocupação apostólica de aproximar as almas de Deus. Hoje, a festa celebra-se a 2 de Outubro.
Nasceu em Assis, em 1182. Depois de uma juventude leviana, converteu-se a Cristo, renunciou a todos os bens paternos e entregou-se inteiramente a Deus. Abraçou a pobreza para seguir mais perfeitamente o exemplo de Cristo e pregava a todos o amor de Deus. Formou os seus companheiros com normas excelentes, inspiradas no Evangelho, que foram aprovadas pela Sé Apostólica. Fundou também uma Ordem de Religiosas e uma Ordem Terceira para seculares; e promoveu a pregação da fie entre os infiéis. Morreu em 1226.
Padre como um monge do século 111 ou do último quartel deste século XX, letrado, perspicaz, chistoso, prontíssimo nas suas respostas graciosas a que não havia nada a opor ou a acrescentar e capazes de desconcertar o mais finório que aparecesse...
Nasceu no lugar da Serra de Porto d'Urso, Monte Real, a 30 de Agosto de 1876, sendo baptizado a 6 de Setembro de 1876, sendo padrinhos: João Pereira e Teresa de Jesus. Foram seus pais: José Pereira e Maurícia de Jesus.
Fez os seus estudos no Seminário de Leiria, ate concluir os preparatórios, e a Teologia em Coimbra, onde recebeu o Subdiaconado a 18 de Dezembro de 1897, o Diaconado a 6 de Novembro de 1898, e a Sagrada Ordenação Sacerdotal a 22 de janeiro de 1899.
Fora, por algum tempo, pároco de Monte Redondo e Vieira e por muitos anos Capelão do Souto da Carpalhosa.
A escadaria tem cinco lances de degraus. Entre cada lance existe um pequeno terraço. Os degraus são de pequena altura. Encontra-se ladeada por dois belos muros em pedra. Do fundo da escadaria, já podemos contemplar parte do frontispício da Igreja.
Juntamente com a Igreja e com todo o adro envolvente, esta escadaria forma um belo conjunto arquitectónico.